Com a Zero Chair, o designer de produto Davide Bozzo, baseado em Milão, dobra uma única fita de metal em base, assento e encosto ao mesmo tempo, uma forma em balanço mantida unida por nada, porque não há solda, parafuso e junta para segurar.
A Zero começa com uma única fita de metal e termina sem junta.

O designer dobra um comprimento contínuo para que base, assento e encosto sejam do mesmo material, um gesto dobrado em três funções.
Nada está soldado a nada.

Não há parafusos, suportes, ferragens esperando sob uma almofada, porque sempre há apenas uma peça.
O encosto não é fixado, a fita simplesmente passa pelo assento e se curva para cima e de volta sobre si mesma.

Davide chama a principal tensão estrutural.
Em vez de adicionar componentes para sustentar um corpo, a geometria faz o trabalho, a carga percorre a continuidade das curvas, com base na lógica de que uma casca curva resiste a mais do que uma folha plana do mesmo material.
O assento é em balanço, sem suporte na borda dianteira, então ele flexiona sob o peso em vez de apoiar as pernas.
Abaixo dela, a fita se fecha em um retângulo aberto, uma moldura que parece tanto um vazio quanto um suporte, o espaço que ela envolve tão legível quanto o metal que a puxa.

O acabamento escovado mantém o objeto discreto, um grão cinza suave que capta a luz sem devolvê-la.
Vista de perfil, a cadeira se desfaz em uma única linha, uma forma que uma mão poderia desenhar sem levantar a caneta.
O retângulo aberto abaixo do assento é deixado totalmente oco, então a base se lê como um contorno desenhado em vez de uma massa sólida.
Em uma imagem, alguns livros repousam dentro dela, preenchendo o vazio sem quebrar a aresta contínua que define o todo.

O que torna o design convincente é o que ele deixa de fora.
A maioria dos assentos esconde sua marcenaria e considera o resultado limpo.
Aqui não há marcenaria para esconder, e a honestidade é estrutural, não estilizada.
Uma cadeira combinada em uma operação, um material e uma aresta contínua, com o espaço vazio que ela emoldura contando como parte do objeto, e não como o espaço entre suas partes.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: david bozzo.studio




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