Em Montreuil, o Exbrayat Enrico Architectes está transformando 1.600 m² de antigos galpões industriais para abrigar a nova sede da Yard, um espaço produtivo, narrativo e colaborativo, concebido como um ecossistema vivo, que ressoa com a energia criativa da marca.
Através da reutilização de quatro edifícios distintos, o escritório idealiza um campus criativo onde espaços de trabalho, espaços criativos e instalações de divulgação convergem.
Cada volume, concebido com sua própria identidade, oferece uma resposta espacial adaptada à diversidade de usos e revela uma materialidade bruta suavizada pela luz e pela meticulosa atenção aos detalhes.

Áreas de circulação, limiares e transições tornam-se pontos de encontro, fomentando interações informais e criando uma permeabilidade entre os espaços internos e externos.
Cada edifício possui sua própria personalidade e participa de uma experiência compartilhada, onde os espaços se tornam alavancas para contar histórias, compartilhar e ancorar o território.
O Yard está se tornando um espaço cultural aberto, um veículo de comunicação em si, uma ferramenta de produção em larga escala e uma plataforma de inspiração para os nossos tempos e o nosso público.

A reabilitação das antigas fábricas da Beromet compromete o projeto com uma abordagem onde a transformação arquitetônica encontra a reflexão estratégica e cultural.
Não se trata de restaurar um local existente, mas de inventar um lugar a partir de suas camadas, suas profundezas e seus usos potenciais.
O espaço é simultaneamente uma ferramenta de trabalho, um veículo de representação e um suporte para a narrativa.

Para uma equipe, imaginar a sede da Yard equivale a projetar um lugar habitado: um lar profissional, um cenário criativo e um espaço para viver e se reunir.
Nenhum contexto surge em no campus, não como um modelo, mas como um quadro de compreensão do projeto.
Aberto, atravessado, permeável, o campus se define como um sistema vivo, capaz de articular diferentes escalas e temporalidades, de acolher o trabalho, a criatividade e a difusão em uma continuidade fluida.

A rua interior é um eixo de circulação e encontro.
Concebida como uma extensão do espaço público, a alameda principal da sede tornou-se simultaneamente um local de circulação, trabalho e representação.

A estrutura do projeto, que conduz à recepção do campus, situa-se no mesmo espaço das obras, com diversas aberturas para o exterior.
Para um tratamento homogêneo das fachadas, antigas e novas, o escritório busca uma continuidade sensorial que imerge o usuário no universo do projeto.
A mineralidade assumida pela rua interior e seu layout flexível favorecem a porosidade entre interior e exterior, ampliando as possibilidades de uso em relação à cidade.

Com vista para a entrada, uma fachada com painéis publicitários torna visíveis as atividades da agência, enquanto um percurso alternativo reservado aos funcionários conecta diretamente os espaços de trabalho ao exterior.
Essa abordagem dual equilibra abertura e privacidade, criando uma experiência fluida entre os diferentes usos.
A Galeria, a Fábrica e o Pátio formam uma dimensão interior multifacetada e narrativa.
Para além da rua interior, o projeto desdobra-se em torno de espaços complementares que refletem os diversos usos e ritmos do local.
No interior, a estética brutalista e moderna desdobra-se através do concreto, do alumínio e de materiais reciclados, refletindo o desejo dos arquitetos de combinar expressão radical com sensibilidade contemporânea.
A escolha de mobiliário sustentável, incluindo peças da Hall Haus e da Maximum, reforça esse compromisso com o design responsável.
A Galeria constitui o coração social do campus.
Na encruzilhada entre a rua interna e os espaços de trabalho, ela acolhe trocas, reuniões e momentos coletivos.
Seu mobiliário feito sob medida, sua transparência e sua abertura para a cozinha comunitária a tornam um lugar funcional e convivial, um espaço de respiro no centro das instalações.
O concreto aparente interage com tons naturais, pontuados por toques de cor que remetem à energia criativa da Yard.
Localizada na interseção de todos os fluxos, a galeria constitui o centro nevrálgico do projeto.

Ao mesmo tempo ponto de recepção e passagem, ela organiza encontros entre o público e os espaços mais reservados da sede.
Concebida como um espaço de interface, permite receber, trabalhar e trocar ideias sem entrar nos andares de escritórios.
A Fábrica, instalada no antigo prédio administrativo, reúne escritórios e áreas de produção.
Organizada em torno de um átrio central, ela promove conexões visuais entre os níveis e oferece uma gama de atmosferas: do térreo com vista para o jardim a um andar superior mais intimista, propício à concentração.
Madeira clara, divisórias de vidro e tons terrosos conferem ao conjunto uma atmosfera tranquila, onde a luz natural suaviza o caráter industrial do edifício.

O coração operacional do projeto, o Yard Hall, constitui um campus dentro do campus. Concebido como um grande palco modular, acolhe eventos, exposições, conferências e atividades desportivas.
Aberto para a rua, estende o movimento do campus para o exterior, criando continuidade entre produção, distribuição e partilha.
Os tetos altos, a estrutura metálica exposta e a interação da luz natural fazem do espaço uma expressão espacial vibrante, simultaneamente crua e generosa.
Fonte: Archilovers
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Jean-Baptiste Thiriet




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