Em um dos últimos armazéns originais de Hackney Wick em Londres, Helena de Mutter construiu uma vida entre o estúdio de joias e a casa, onde o sonho de criar, viver e crescer encontra a realidade de um bairro em constante mudança.

No coração de Hackney Wick, um bairro que já foi o centro da indústria e da cultura rave, e onde o primeiro plástico do Reino Unido foi fabricado, está um dos últimos armazéns originais a sobreviver à onda da arquitetura londrina genérica.
Comunidades subterrâneas de artistas, criadores e excêntricos construíram uma vida aqui, coexistindo com mecânicos, soldadores, madeireiros e outros vizinhos industriais.

Helena mudou-se para uma unidade que compartilhava com colegas de casa justamente quando começava a desenvolver sua marca de joias, a Mutter.

O aluguel acessível, o espaço amplo e o ambiente criativo permitiram que ela experimentasse livremente.
“Morar aqui significava concessões, paredes finas, noites barulhentas, menos privacidade, mas os ganhos foram imensos”, ela diz.

“Liberdade para fazer o que quisesse, muitas vezes colaborando com outros criativos do prédio”.
“Frequentemente sinto que estou vivendo o sonho de Peter Pan do meu eu mais jovem.”

“Eu queria que parecesse uma hacienda mexicana encontrando um loft de artista”.
“Queria caminhar ao sol e ser abraçada por árvores.”
O interior reflete essa ambição: superfícies quentes, objetos coletados, plantas escalando por volumes industriais e as ferramentas de sua prática de joalheria nunca distantes da vista.

O estúdio e o doméstico ocupam o mesmo andar, não há deslocamento, nem separação entre fazer e viver.
Fotografado por Willem Pab, o espaço se lê tanto como retrato quanto como manifesto, de uma forma de trabalhar que o mercado imobiliário londrino torna cada vez mais rara.
A Unidade 2F não é um interior projetado no sentido convenciona.

É um espaço moldado pelo uso, por acidente, pela acumulação de vida criativa ao longo do tempo.
Essa qualidade, a sensação de que a sala foi habitada em vez de organizada, é justamente o que torna a documentação digna.

Fonte: This is Paper I Alexander Zaxarov
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Williem Pab




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