Em Ottawa, o Appareil Achitecture projeta o Antheia, um restaurante movido à fermentação, onde um balcão iluminado por trás e elevado se torna premissa arquitetônica de uma sala de jantar inteira.
O projeto recebe seu nome da palavra grega para florescimento, e essa referência é merecida.

A fermentação é a transformação do paciente: microbiana, lenta, viva.
O escritório entendeu isso não como marketing, mas como o próprio briefing arquitetônico.
O interior resultante mantém essa lógica em cada decisão, a sala construída em torno de um processo, não de um programa.

No centro, um balcão elevado brilha por trás, funcionando como palco no sentido teatral: elevado, iluminado, visível de todos os assentos.
As técnicas da chef Briana Kim se desenrolam à vista aberta, os vasos de fermentação dispostos como objetos em exibição.

“O Antheia foi projetado para capturar momentos no tempo por meio da fermentação e transformação”, explica Kim.
“Cada elemento do espaço é intencional”.

A paleta ao redor atravessa texturas minerais e tons naturais, superfícies que envelhecem de forma credível e resistem ao acabamento brilhante que parece temporário.

Pedra, gesso fosco, madeira com veio visível.
A entrada é marcada por uma campainha discreta, um gesto de limiar que separa a rua da atmosfera controlada interna.

O espaço flui por sequências íntimas: um lounge contido, depois o laboratório aberto, revelando, em vez de ocultar, os processos em ação.

O que o restaurante propõe, finalmente, é que uma sala construída em torno da fermentação deve ser algo vivo, algo que muda conforme a noite avança, à medida que o vapor sobe e as garrafas são abertas.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Félix Michaud




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