Localizada no bairro de Cheongdam e com projeto do Sophie Hicks Architects, a loja encena um choque dramático de contenção e poder bruto, equilibrando a modéstia sueca com a energia inquieta de Seul.
O projeto resiste aos tropos típicos do design de varejo, em vez disso, encena um confronto silencioso entre a contenção modesta e a fisicalidade brutal.

Situado nas ruas estreitas deste bairro notório por seu consumismo em alta velocidade e fachadas reluzentes, o edifício deliberadamente desacelera as coisas, convidando à reflexão em vez da distração.
Do lado de fora, a loja se apresenta como uma caixa pálida e fantasmagórica.

Translúcido, elegante e discreto, ele contrasta fortemente com as vitrines do bairro.
Essa discrição arquitetônica acena para o ethos sueco de modéstia, mas o que espera no interior não poderia ser mais oposto.
O visitante entra em um corpo de concreto pesado e taciturno: cru, sem ornamentos e assumidamente físico.

A transição é como entrar em um registro de espaço totalmente diferente, onde as silhuetas afiadas e os cortes andróginos de Acne ressoam com a gravidade de seus arredores.
O interior é organizado em torno de uma estrutura de concreto bruto que parece quase escultural em sua massa.

Quatro colunas grossas sustentam o nível superior, enquanto uma escada flutuante gira em torno de uma, exagerando a tensão entre peso e suspensão.
O andar superior oferece uma revelação: a casca de concreto não toca as paredes de vidro, mas fica à deriva dentro delas, como uma ruína cuidadosamente preservada dentro de uma vitrine.

Essa separação transforma o edifício em um objeto paradoxal, ao mesmo tempo semelhante a uma fortaleza e delicadamente exibido.
Os materiais são reduzidos ao seu mais elementar: concreto áspero impresso em madeira, painéis de metal suavemente reflexivos e vidro que difunde a luz em um crepúsculo perpétuo.

A decisão de omitir a decoração parece menos austeridade e mais precisão.
Cada superfície é proposital, cada ausência amplificada.
É uma forma de edição arquitetônica, removendo ornamentos para revelar a relação nua e crua entre massa, luz e textura.
Nessa tensão reside a força da visão de Sophie Hicks.
O projeto canaliza o caráter duplo da Acne Studios: a contenção fria do design escandinavo entrelaçada com o forte desafio de sua identidade de moda.

É um espaço de varejo que funciona como uma instalação, recusando-se a apenas hospedar roupas, mas criando um mundo para elas.
Em Seul, uma cidade onde a polinização cruzada cultural é constante, o edifício ressalta como a arquitetura pode carregar a identidade de uma marca sem se reduzir à marca.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Annabel Elston




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