O Xin Ge nasceu em Florença, como um lugar manifesto: tradição e modernidade se entrelaçam em um espaço que conta a história da culinária chinesa contemporânea, livre de estereótipos e capaz de expressar uma cultura jovem, global e em constante mudança.
O diálogo entre Ocidente e Oriente gera uma energia viva e imparável.

O projeto do escritório B-Arch, interpreta uma profunda tradição gastronômica por meio de uma linguagem atual e consciente, na qual estilo e identidade se tornam ferramentas fundamentais da narração.
É uma culinária que olha para o presente, cultivada entre fluxos migratórios, contaminações culturais e novas formas de experimentar a comida, e que encontra um aliado natural no espaço arquitetônico.

Inserido no contexto intenso do Viale Belfiore, próximo à estação, o Xin Ge escolhe se posicionar como um espaço isolado do caos urbano.
As grandes janelas trazem as luzes do trânsito para dentro e o movimento da cidade, retornando vistas dinâmicas e evocativas, funcionam como uma tela: filtram as luzes e os ruídos da cidade, criando um contraste claro entre o exterior e o interior.
À noite, o restaurante aparece voltado para a rua como uma bolha cromática compacta, um volume quente e reconhecível que convida à descoberta.
A disposição espacial é concebida como um único ambiente fluido, organizado por asas sinuosas que marcam o ritmo dos assentos e articulam a percepção do espaço sem fragmentá-lo.

As divisórias reinterpretam o princípio do portão lunar da tradição do sul da China: aberturas mais estreitas na base que se alargam visualmente, sugerindo passagens e limiares em vez de divisões acentuadas.
O resultado é um interior que é vivido em sequências, nas quais o espaço se abre e fecha naturalmente.

Essas divisórias criam uma sequência vibrante e, graças ao espelho colocado na última sala, multiplicam-se infinitamente, amplificando a profundidade percebida.
A cozinha é parcialmente aberta e se torna um elemento central do projeto.
As estações com banquinhos altos o observam diretamente, remetendo à tradição da comida de rua asiática, preparada na hora e sob o olhar dos clientes.

O gesto culinário aqui assume um valor quase meditativo: uma ação manual e artesanal que dialoga com a sala de jantar e ajuda a definir o caráter do lugar.
Do ponto de vista material, o projeto funciona por subtração e continuidade.

O micro cimento cobre pisos, paredes e superfícies, criando um efeito de casca que unifica o ambiente e reforça sua identidade.
A escolha de cores é precisa: a cor do tijolo, quente e reconfortante, lembra uma dimensão terrosa e natural, uma reinterpretação elegante e contemporânea do vermelho das lacas chinesas.
O azul da China, por outro lado, introduz uma nota mais pungente e simbólica, que cruza o espaço em pontos calibrados e reflete o caráter decisivo do proprietário.

Os móveis vintage dialogam com elementos feitos sob medida, lâmpadas estofadas em tecido azul que reinterpretam a forma das lanternas tradicionais, prateleiras e objetos que constroem uma história feita de referências discretas.
Nada é uma citação literal: cada referência é filtrada, trazida de volta a uma síntese essencial e elegante.
Fonte: Archilovers
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: B-Arch




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