O escritório Symbolplus está localizado em um prédio de madeira pertencente ao arquiteto Akio Hayashi, em Tóquio, cuja longa defesa dos materiais naturais foi o ponto de partida da renovação.

A missão era clara: evite materiais sintéticos e trabalhe com o que já existia.
Em vez de buscar impacto visual, o projeto foca na continuidade, entre arquitetura, material e tempo.
O projeto preserva a estrutura original de madeira tanto quanto possível.

Novos elementos seguem o ritmo, as proporções e o calor do edifício, permitindo que o antigo e o novo coexistam sem contraste.
O escritório se torna um lugar onde o trabalho se desenrola silenciosamente, moldado por seu contexto arquitetônico, em vez de imposto a ele.

Escolhas materiais reforçam essa atitude.
Terra vermelha de Ishikawa foi aplicada em reboco em camadas por artesãos, seu tom cuidadosamente ajustado para ressoar com a estrutura de madeira.

Divisórias Shoji foram feitas a partir de washi Tosa recuperado, originalmente destinadas ao descarte.
Como o papel era fino demais para uso arquitetônico, ele foi sobreposto para alcançar durabilidade e translucidez.

Esses shoji funcionam como divisórias flexíveis, permitindo que o espaço alterne entre abertura e privacidade.
Nas áreas de reunião, eles escondem prateleiras e equipamentos quando necessário, mantendo a calma visual sem apagar a função.
A inovação aparece através da contenção.

Painéis shoji deslizam sem conexões metálicas, utilizando técnicas tradicionais de carpintaria.
Painéis rotativos de teto só revelam iluminação quando necessário, reduzindo o ruído visual.
Esses detalhes não são gestos nostálgicos, mas sim sistemas práticos que permitem que o escritório se adapte ao longo do tempo.

Em vez de exagerar no projeto, o projeto aceita a mudança como parte da arquitetura.
O espaço evolui por meio do uso, da luz e da ocupação diária, permanecendo aberto ao futuro enquanto ancorado em seu passado.
O Symbolplus não é concebido como uma vitrine, mas como um ambiente de trabalho moldado por valores, longevidade, reutilização e humildade em relação à arquitetura existente.

Ao construir sobre o que já existia, o projeto demonstra como intervenções modestas podem prolongar a vida da arquitetura, mantendo-se social e ambientalmente responsável.
Fonte: Archello
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Keishin Horikoshi




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