Para o Scusa, em Lisboa, projeto do Spacegram, a apresentação foi resumida em pouquíssimas palavras: imaginar um restaurante italiano sem cair na armadilha dos estereótipos comuns sobre o que é e significa “italiano”, mas também não evitar esse mesmo quadro cultural e transformá-lo no que hoje chamamos de uma espécie de “fusão”.

Como uma interpretação contemporânea desse toque italiano, que vai dos lagos alpinos aos olivais da Puglia, a equipe precisou garantir que a comida fosse o ingrediente principal dessa equação, e que o espaço para apreciar fosse quente e acolhedor, com tons vibrantes de laranja e amarelo, quase uma perspectiva externa.
Para as mesas, que têm quase uma forma de “pizza” dobrável e transmite a ideia de encontros íntimos de família e amigos, o estúdio escolheu materiais que quase se misturam com as texturas das paredes, e foi usado uma iluminação muito suave que realça novamente o calor.

Brincando novamente com a luz natural de Lisboa, a equipe deixou fluir livremente pelas grandes janelas, deixamos o espaço respirar e brilhar de uma forma verdadeiramente orgânica.
O espelho não foi apenas instalado, foi esculpido, moldado e ajustado até que cada curva refletisse exatamente o que queríamos: distorção, calor e uma sutil sensação de maravilha.

Projetado como uma superfície fluida que dobra a percepção, os clientes são convidados a se verem o espaço, e a si mesmos, sob novos ângulos.
O espelho brinca com escala e movimento, ecoando as formas suaves encontradas por todo o restaurante, enquanto amplifica a luz natural e o ritmo espacial.

Mais do que um elemento funcional, o espelho tornou-se um dispositivo narrativo: um momento de pausa, reflexão e desorientação suave que se alinha ao ethos do restaurante de design familiar, porém inesperado.
Curiosamente, e fiéis ao DNA criativo do estúdio, a equipe não gosta de brincar contra os elementos, mas adora abraçá-los.

Mais desejos, menos contrastes abrasivos.
Isso não significa que não se implemente reviravoltas significativas e, às vezes, provocar “rupturas” criativas no que você vê como aparentemente linear.
Você pode ver isso perfeitamente ilustrado na “sala privada” do andar de baixo, que eleva cores e texturas a tons e padrões muito mais fortes, e que diminui as luzes em uma sensação de tesouro escondido e cinematográfico e discreto.

A peça, que se chama “Popcorn”, é agora uma das mais fotografadas da cidade, pois traduz perfeitamente aquela sensação de surpresa e brincadeira que foi introduzida em todo projeto.
Fonte: Archilovers
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Francisco Nogueira




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