O conceito desta residência em Milão, reformada pelo LC Atelier, foi imaginado como um romance para ser lido de uma vez só.
Cada sala é um capítulo, cada detalhe um fio narrativo que entrelaça diferentes eras.

Desde a entrada, a equipe quis q criar uma atmosfera forte e reconhecível, assim como a linha de abertura de um grande clássico.
Os convidados de boas-vindas são as arandelas de vidro soprado Poliedri de Carlo Scarpa, originalmente projetadas para o Pavilhão Italiano na Expo de Bruxelas de 1958.

As paredes de entrada são revestidas com um tecido marrom de seda, enquanto os tetos e a boiserie são finalizados em um tom mocha profundo combinando.
O estúdio quis que esse espaço, e a área noturna mais privada, tivessem uma identidade distinta em comparação com a área de convivência aberta e luminosa, projetada para convívios.

O piso de parquet foi envernizado no local, permitindo que ajustar seu tom e acabamento para harmonizar com o restante da paleta.
Não houve alteração no layout original e nem nas características históricas existentes.

Para os designers, era essencial permitir que o projeto mantivesse um diálogo respeitoso, porém ousado, com o patrimônio arquitetônico do edifício.
A abordagem foi totalmente sob medida, focada em materiais, texturas, luz e detalhes, com o mesmo cuidado que se tem na curadoria de uma obra de arte.
No cerne do conceito de design está uma homenagem às peças icônicas e ao design italiano.
O único pedido do cliente era exibir clássicos atemporais, dando total liberdade para todo o projeto.

Na sala de estar, foram selecionadas algumas peças-chave que contam uma história precisa: cadeiras dos anos 1950 de Carlo De Carli, a lâmpada espelho Ultrafragola de Ettore Sottsass e uma rara primeira edição do sofá Le Bambole de Mario Bellini da C&B, estofadas em veludo ameixa profundo.
A pesquisa têxtil desempenhou um papel central: cada superfície foi projetada para ser tocada, não apenas vista.

A área de estar é espaçosa e banhada por luz natural.
Cortinas brancas de algodão de altura total e persianas tradicionais de bambu sudarè japonês suavizam as grandes janelas.
Para separar a cozinha da sala de estar, foi desenhado um painel simples de rattan que preserva tanto a luz quanto a privacidade.

Na sala de TV, foi incluída uma peça de performance visual de Vanessa Beecroft, algo entre fotografia e instalação, trazendo uma presença teatral para o lar.
Fonte: Archilovers
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Beppe Brancato




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