Em Punta Mita, México, o escritório Ignacio Urquiza + Ana Paula Alba, oferece uma imersão monolítica e sensorial na areia, luz e calma da selva.
O Restaurante é menos um edifício do que uma experiência espacial, uma espécie de silêncio construído em meio à exuberante folhagem costeira.

Os clientes chegam por um caminho que serpenteia pela vegetação, deslocando-os de qualquer ritmo urbano e guiando-os para uma fachada cega modesta, quase reticente.
A partir daqui a arquitetura se torna coreografia: um túnel estreito e baixo se abre para um vasto terraço com vista para a Sierra Madre Ocidental e a Baía de Banderas, uma revelação controlada que parece ao mesmo tempo íntima e teatral.

A lógica espacial do Rubra é definida não pelo espetáculo, mas pela modulação.
Uma composição de volumes esculturais, cada um diferindo em altura, tamanho e função, organiza sutilmente o local.

Esses elementos abrigam a cozinha aberta, bares e adega, ao mesmo tempo em que formam áreas de estar e canteiros de flores.

Sua configuração direciona tanto o movimento quanto as linhas de visão, garantindo que o olhar seja sempre encontrado pelo sublime natural: o horizonte, a selva, o mar.
Há uma tensão palpável aqui entre estrutura e paisagem, com brisas deslizando pela arquitetura e linhas de visão cuidadosamente calibradas para evitar qualquer vislumbre do mundo construído além.

A materialidade arquitetônica é monolítica, mas estranhamente suave.
A colaboração de Pablo Kobayashi com os arquitetos resultou em um concreto manchado e texturizado que imita de perto os tons arenosos do local, um aceno para o terreno local que beira a abstração.

Cantos arredondados e modulação precisa evocam um modernismo contido com sensibilidade regional, lembrando o vernáculo da costa do Pacífico do México sem nunca cair no pastiche.
Os móveis em tons de madeira e a vegetação endêmica desenhados por Thalia Davidoff completam essa paleta, garantindo que todas as decisões de materiais operem dentro da mesma harmonia cromática.
A luz no restaurante é material e metáfora.

Um telhado de dez por quinze metros paira sobre o terraço principal, apoiado não por colunas tradicionais, mas pelos próprios volumes arquitetônicos.
Este telhado, uma grade de pérgola inserida com treliças de madeira, filtra a luz do sol como folhas de palmeira, lançando um claro-escuro manchado que evoca o conforto atemporal de uma enramada.
Dependendo do clima, o espaço pode alternar entre refeições ao ar livre e um interior envidraçado, mantendo a ilusão de estar do lado de fora, sempre em diálogo com os elementos circundantes.
Tudo dentro do Rubra é feito sob medida.

As mesas, cadeiras, cabides, até mesmo as panelas e talheres, foram desenhados sob medida, seja pelos próprios arquitetos ou em colaboração com artesãos como Claire Lippman, Nouvel Glass, Mauviel e Carlos Matos.
Esse nível granular de atenção transforma cada experiência gastronômica em algo tátil e com curadoria.
A culinária de Soto-Innes torna-se parte da arquitetura, tanto sobre gosto quanto sobre tato, ambiente e ritmo espacial.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Rafael Gamo




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