O artista suíço Yves Suter projetou seu atelier em Zurique, como um espaço para si mesmo, em ambiente moldado pela simplicidade, clareza e redução.
Ele desempenhou um papel fundamental na definição da estética, mobília e layout do espaço, colaborando de perto com um carpinteiro local.

O ateliê, localizado em um espaço alugado dentro de um prédio industrial reformado, reflete sua conexão de longa data com o Japão e seus princípios de contenção e intencionalidade.
A característica definidora do local é seu contraste de elementos quentes e frios.
O telhado, revestido em painéis de madeira de pinho pré-fabricados, se estende por todo o lado voltado para o sul, suavizado pelo tom dourado do material.

Para contrabalançar esse calor, o artista optou por um piso de concreto cinza preparado, emprestando ao espaço uma presença neutra e composta.
Janelas generosas na fachada sul e claraboias voltadas para o norte inundam o espaço com luz natural, criando uma atmosfera brilhante e equilibrada durante todo o ano.
O mobiliário do ateliê reflete a mesma abordagem disciplinada.

Suter, trabalhando ao lado de um carpinteiro local, projetou e construiu prateleiras e mesas de carvalho personalizadas.
A estação de trabalho de pintura, no entanto, integra madeira de pinho, idêntica à estrutura do teto, permitindo que ela recue visualmente.
Algumas cadeiras e bancos de segunda mão completam a coleção, reforçando a ideia de seleção cuidadosa em vez de acumulação.
A organização espacial segue uma lógica silenciosa.

Uma enorme estante de livros atua como um divisor e um arquivo de livros de arte, delineando o lounge da área de trabalho.
Aqui, um sofá autoconstruído e espreguiçadeiras restauradas criam um espaço de descanso para reflexão.
Adjacente ao lounge, um jardim interno introduz uma sensação de tranquilidade, um bolso fechado de vegetação que muda o humor do ateliê, oferecendo um momento de pausa em meio à disciplina de fazer.

O atelier é um ambiente cuidadosamente orquestrado que amplifica o foco e a intenção.
Em um mundo caótico, é um espaço de quietude, onde o trabalho se desdobra em conversas silenciosas com a luz, o material e o próprio ato da criação.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Simone Bossi
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