Na casa crua e brutalista do novo posto avançado da M.I.G. em Barcelona, o estúdio Avoir encena um balé material e conceitual entre ascetismo e funcionalidade.
A loja se desenrola como uma galeria de provocação tátil, onde os móveis também servem como meditações sobre estrutura, sensação e utilidade.

Cada intervenção serve não apenas como objeto, mas como cenário, uma oportunidade para questionar as normas de exibição, descanso e uso.
A peça central do pátio, o Banco de Açúcar, é moldado de alumínio tratado com sal, um monólito denso e poroso que ecoa o cascalho que o cerca.

É menos um banco do que um bloco de ficção geológica: comprimido, texturizado, não resolvido.
No interior, as Mesas de Relógio pontuam o espaço como relógios industriais, suas colunas únicas sustentando discos giratórios de terrazzo.

Juntos ou separados, oscilam entre uso solitário e interação comunitária, evocando a modularidade da infraestrutura brutalista apresentada com elegância arquitetônica.
Em outros lugares, o Sofá Domino incorpora uma espécie de reducionismo háptico, almofadas magnéticas simples que podem ser rearranjadas infinitamente, sem ferramentas ou regras.

Parece um móvel desprovido de ego, sua forma ditada apenas pela função e pela diversão.
O Fakir Rug, por outro lado, questiona nossa relação com o conforto como um todo.

Feito de malha metálica, mais comum em fachadas, recusa o luxo suave em favor de uma ambiguidade ascética e sensorial, ao mesmo tempo massagem e ameaça.
A encenação da loja é um gesto destilado rumo ao futuro do espaço adaptável.

Uma que não compromete forma e uso, mas deixa o atrito entre eles criar novas arquiteturas culturais.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Enric Bardinas I Borja Liobregat




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