Em Daikanyama, o Schemata Architects redesenha a nave capitânia do Le Laob em Tóquio por meio de um único ato de circularidade material: a forma de cedro usada para moldar as paredes de concreto e reaproveitada, após a desmontagem, como as prateleiras que as revestem.

A primeira loja Le Labo fora dos Estados Unidos abriu em Daikanyama há dezoito anos, um bairro de Tóquio onde o fluxo da rua é íntimo e sem pressa, em contraste silencioso com os registros mais hiperativos da cidade.
Após quase duas décadas de operação, o espaço exigiu uma reinvenção completa, e o briefing retornou ao escritório.

A diretriz desta vez era desenvolver um projeto enraizado no caráter material do edifício existente, uma estrutura de concreto armado, ao mesmo tempo em que introduzia calor e qualidade do artesanato.
“Le Labo propôs madeira e concreto como materiais”, explicaram os arquitetos, “sugerindo que a característica definidora da cidade está na fusão de forças opostas: energia intensa e profunda tranquilidade”.

Em vez de aplicar esses materiais como um simples contraste de superfícies, a equipe encontrou uma forma de fazer madeira e concreto se comunicarem estruturalmente.
Novas intervenções foram feitas usando cofragens feitas de cedro vermelho tratado com uzukuri, uma técnica tradicional de marcenaria que expõe os veios mais duros ao esfregar a madeira mais macia, como resultado de que a textura do cedro é transferida diretamente para a superfície do concreto à medida que os painéis são desmoldados.

“Ao despejar concreto na forma de encofra que enfatizava a textura irregular do veio da madeira, produzimos painéis pré-moldados onde o veio foi transferido para a superfície, que então utilizamos como paredes”, observou a equipe.

A técnica produz uma superfície com uma qualidade que não é puramente mineral nem puramente vegetal: o concreto registra a memória da madeira que o moldou.
Após a desmoldagem, as tábuas de cedro não foram descartadas, mas reaproveitadas como prateleiras de exposição e móveis por toda a loja, de modo que as superfícies que formavam as paredes continuam vivendo no espaço em uma forma diferente, criando uma sensação de coesão que permeia cada elemento.

O layout interno foi reorganizado para expor o processo de fabricação de perfumes.
O laboratório de fragrâncias, antes escondido na parte traseira, foi realocado para a frente, onde é visível através da fachada envidraçada de largura total, perfumistas trabalhando tornando-se parte da cena das ruas à medida que os clientes se aproximam.

O teto existente foi despido para revelar os recantos originais da iluminação e as marcas de cofragem da construção do edifício, de modo que vestígios de fazer e desfazer se espalham por todas as superfícies.
Em uma loja dedicada à arte do perfume, a decisão de tornar a arte da arquitetura legível parece exatamente certa.

O Schemata passou décadas encontrando, no comum e no existente, a matéria-prima para espaços de grande particularidade.
No redesenho de Le Labo, eles chegam a um espaço coerente de uma forma que poucos interiores de varejo conseguem: não pela uniformidade, mas por uma lógica de transformação material que vai, silenciosa e completamente, das paredes às prateleiras e aos objetos colocados sobre elas.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Le Labo




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