O projeto do Celoria Architects, é o resultado de um desejo de experimentar um espaço nômade, em constante movimento.
A casa se transforma assim em um labirinto fluido, onde as formas se sucedem naturalmente e cada ambiente se torna parte de uma narrativa contínua, sempre aberta à interpretação.
A casa conta a história de uma viagem feita de descobertas, retornos e desvios.

O nômade lê o espaço com o olhar aberto, transforma-o, anima-o.
Assim, a casa se move, se adapta, muda, acolhe.
Está viva.

Interpretar o espaço é intuir um sentimento.
É habitar não apenas um lugar, mas uma experiência.
Ele é projetado para aqueles que se movem, aqueles que observam, aqueles que atravessam.

Cada gesto, cada pausa, cada passagem torna-se parte de uma coreografia silenciosa.
A cidade permanece do lado de fora, isolada.
Nesse organismo em movimento, todas as infraestruturas estão contidas em blocos que ocultam espaços íntimos.

Para acessá-los, cruza-se um limiar: uma passagem que não é apenas física, mas também simbólica.

Do exterior em movimento, entra-se em uma condição suspensa, quase estática.
No interior, o espaço molda-se com precisão e suavidade em torno das necessidades dos seus habitantes.
Torna-se plástico, dúctil, aberto à transformação.

O vazio é parte integrante do projeto.
Não como uma ausência, mas como uma presença silenciosa que acompanha, orienta e sugere.
No labirinto, a pessoa se perde e se encontra continuamente, ao longo de um caminho sem começo nem fim, vivendo transições.
Cada elemento é integrado, cada detalhe escondido.
Portas niveladas, volumes sólidos e superfícies contínuas criam um ambiente abstrato e essencial, onde a arquitetura recua para abrir espaço para a vida.
E assim, nesse delicado equilíbrio entre forma e percepção, o morar se torna uma experiência poética.

Um espaço que acolhe, escuta e se dissolve lentamente, deixando apenas a memória de um gesto, como uma linha traçada na areia, como a lembrança de uma passagem.
Somente ao sair é que se encontra na cidade novamente, cercado por cúpulas romanas, o vazio das praças próximas e toda a beleza do Palazzo Farnese.
Fonte: Archello
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Simone Bossi




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