Na ensolarada extensão sul de Madri, onde a Casa So se ergue silenciosamente, projeto do DIIR Studio, a abertura não é meramente uma intenção arquitetônica, é uma filosofia vívida e construída.
Este último projeto residencial pega a noção familiar de casa de família e a expande para algo mais rico.

Uma infraestrutura doméstica adaptável que é ao mesmo tempo elegante e suavemente radical.
No cerne do projeto está uma investigação tipológica, uma evolução, não uma reinvenção.
A Casa não busca reescrever a história da arquitetura, mas, em vez disso, toma emprestado conscientemente de seus antecessores, oferecendo uma destilação de ideias que encontram aqui sua expressão mais completa.

O resultado é uma casa que brinca com a hierarquia espacial como um tabuleiro de jogo desgastado: cada movimento, cada cômodo, estrategicamente concebido, mas aberto à reinterpretação.
Os espaços são conectados, sim, mas também capazes de se desenvolver por conta própria, caso a solidão ou o propósito o exijam.

Essa fluidez, paradoxalmente, exige um certo rigor no layout.
Aqui, a clareza é rainha.
A planta divide a casa em três longas faixas programáticas, iguais em dimensão, desiguais em ambição.
É dentro dessas faixas conceituais que a casa começa a se revelar.

Essas faixas serão, com o tempo, “colonizadas”, para usar o termo dos arquitetos, pela atividade e pela vida, um desdobramento em câmera lenta de função e forma.
A chave para a coreografia espacial são as paredes divisórias, não apenas divisórias, mas elementos operativos.
São limites espessos e habitados que contêm armários, armários e passagens ocasionais.
Perfuradas e porosas, elas emolduram as linhas de visão e oferecem vislumbres precisos da casa.
É possível imaginar-se na sala de estar e captar, através de uma abertura estreita, o contorno de uma figura na cozinha, nunca sozinha, nunca totalmente unida.
Em cada extremidade dessas faixas, aberturas generosas criam conexões com o exterior.

A arquitetura rejeita a noção de caixa fechada; a luz e o ar são convidados a entrar com total liberdade.
A faixa central, curiosamente, é dedicada ao que poderíamos chamar de espaços de servidores: aqueles silenciosos cavalos de batalha da domesticidade.
Ao ancorar esses espaços no centro, o projeto liberta a periferia, permitindo que a vida aconteça ao redor, e não através deles.

É uma ideia replicada em todos os andares, um refrão espacial tocado com crescente ressonância.
Em termos materiais, a Casa SO remete a um acorde mediterrâneo, se não abertamente, pelo menos em temperamento.
Uma paleta de ocres e tons neutros confere aconchego sem nostalgia, contenção sem frieza.
O tijolo, o mais humilde e histórico dos materiais, permeia o projeto como um fio condutor.
Aqui, não se trata apenas de estrutura, trata-se de narrativa.

Sua honestidade rude contrasta com a textura suave do carvalho e a elegância discreta do travertino, oferecendo um contraponto tátil que fixa a casa em seu devido lugar.
E então há a escada: uma interjeição escultural de aço inoxidável que serpenteia pelo hall de entrada como uma nota de pontuação.
É funcional, claro, mas também cerimonial, um momento de chegada, de subida, de pausa.
Fonte: This is Paper
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Luis Díaz




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