Quando contratado pelo Gruppo Campari para projetar o novo escritório em Toronto, o briefing para o I-V Architects era simples: criar um espaço que capture o espírito da empresa e inspire as pessoas que o utilizam.

Para cumprir esse mandato, a equipe olhou para o passado para informar o futuro.
Inicialmente cativados pelos pôsteres icônicos da Campari, particularmente aqueles projetados pelos futuristas italianos Fortunato Depero e Bruno Munari, rapidamente os arquitetos se encontram imersos em um rico arquivo de colaborações criativas que abrangem mais de 100 anos.
O outro aspecto da marca que fascinou foi a receita secreta que compõe o Campari, que até hoje apenas um punhado de pessoas conhece.

É a partir dessas duas ideias divergentes que procuramos destilar uma visão singular.
A abordagem abrangente do nosso design era menos sobre um conceito e mais sobre um processo de colagem.
Para homenagear a rica história social e cultural de Campari, abstraiu-se cores, padrões, texturas e formas dos pôsteres e dos ingredientes, sobrepondo-os uns aos outros até alcançarmos uma tela tridimensional equilibrada.

A transição da marca para o espaço foi bastante fluida e orgânica, pois todas as decisões tomadas foram filtradas pelas lentes de ousado, vibrante e atípico: arquitetura ousada, cores vibrantes e materiais atípicos.
Para a equipe e para o cliente, o objetivo final era um espaço inspirador.
De acordo com os planos e fotos, o escritório é essencialmente composto por 3 espaços principais – entrada / vestíbulo, espaço de trabalho / mezanino, banheiro / utilidade.
O foco principal ao planejar foi explorar a grande área aberta e os tetos altos do espaço principal para criar espaços públicos e privados.

Inspirados pelo pôster de Fortunato Depero de 1928 intitulado ‘Ele distraidamente colocou o amargo Campari em sua cabeça’, a equipe quis que os volumes arquitetônicos flutuassem nas telas.
Os escritórios fechados e salas de reuniões podem ser circulados em vez de empurrados contra as paredes.
E o mezanino superior oferece espaço público longe dos espaços de trabalho primários.
Dada a história do edifício existente, os arquitetos encontram muitos desafios, no entanto, o mais urgente foi a falta de luz natural.

O espaço em si não tem janelas para o exterior e inicialmente não tinha claraboias, elas foram adicionadas durante o processo de projeto e construção.
Para obter luz natural nos escritórios privativos e salas de reuniões, foram especificadas folhas de policarbonato de 1,5″ com a qual se criou divisórias.

Isso permitiu uma luz difusa suave nos espaços, ao mesmo tempo em que proporcionava uma sensação de privacidade.
Foram usados piso de borracha Johnsonite em todo o espaço para definir as zonas.
Aplicou-se folhas de policarbonato Gallina para criar divisórias translúcidas.
Foram utilizadas Abet Laminati para toda a a marcenaria personalizada.
O Bacterio Pattern, projetado por Ettore Sottsass, lembram insetos cochonilha que eram tradicionalmente usados para colorir o Campari de vermelho.
A equipe usou compensado de freixo branco cortado a laser para adicionar calor ao espaço, o padrão é derivado de outro ingrediente Campari que é a folha de cascarilla e destina-se a ajudar na acústica.

E, por último, tinta branca e cinza para equilibrar a vibração do projeto.
Fonte: Archello
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Lisa Petrole




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