A intervenção do escritório Pedro Carrilho Arquitectos neste edifício existente, construído na década de 1930, durante o período modernista em Portugal, baseou-se numa profunda reconfiguração do layout interior e na sua expansão através da adição de três novos pisos residenciais e dois pisos subterrâneos para estacionamento.
A integração dos novos andares à estrutura composicional do edifício partiu de uma análise detalhada do projeto original, encontrado em arquivos históricos, que previa inicialmente cinco andares residenciais em vez dos quatro existentes.

Assim, o projeto propôs repor esse andar “perdido”, preservando o projeto original, restaurando o equilíbrio de proporções entre a base e o corpo do edifício, conforme inicialmente concebido pelo arquiteto original, Pardal Monteiro.
Os dois andares superiores adicionais, embora mantendo a continuidade formal com a estrutura existente, introduzem uma linguagem arquitetônica mais sóbria e distinta.

Para atingir isso, um volume contemporâneo de zinco foi criado, ligeiramente recuado do plano da fachada, atingindo um equilíbrio entre preservação e inovação.
Este elemento não apenas aprimora a harmonia da composição, mas também estabelece um diálogo entre a identidade histórica do edifício e sua adaptação às exigências contemporâneas.

A intervenção na fachada focou na preservação de seus elementos arquitetônicos mais emblemáticos, incluindo a base de pedra, a porta de entrada principal, a cantaria esculpida dos andares superiores e os baixos-relevos escultóricos.
A reprodução cuidadosa desses elementos nos novos andares foi essencial para manter a identidade histórica do edifício, garantindo coerência visual entre a estrutura pré-existente e a expansão.

No interior, os elementos mais valiosos arquitetonicamente também foram preservados, notadamente o átrio principal e a escadaria original, caracterizada por sua estrutura de madeira e metal.
Essa característica foi meticulosamente replicada nos andares adicionais, garantindo uma integração perfeita e respeitosa do novo programa residencial dentro do conjunto arquitetônico.
Adjacente à empena cega do edifício vizinho na Rua Filipe Folque, foi criado um novo núcleo de elevadores, utilizando esta área menos favorável para proporcionar acessibilidade total a todos os andares.

Para valorizar ainda mais este espaço, foi incorporado um jardim vertical, melhorando a qualidade visual das varandas com vista para o pátio e os pontos de acesso adjacentes, fomentando uma relação equilibrada entre arquitetura e natureza.
Este projeto destaca-se pela abordagem cuidadosa e sensível à estrutura pré-existente, promovendo um equilíbrio entre a reabilitação patrimonial e a inovação arquitetônica.

A solução adotada respeita a identidade original do edifício ao mesmo tempo que lhe confere uma nova vitalidade, garantindo a sua integração harmoniosa no tecido urbano contemporâneo.
Fonte: Archello
Tradução I Edição: pauloguidalli.com.br
Imagem: Ivo Tavares Studio
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